Fim de sessão: Practical Magic 2

Faz pouco tempo que voltei a assistir a filmes no cinema. Desde que me mudei para o Canadá, fui ao cinema um total de quatro vezes: Pronto ou Não 2, O Diabo Veste Prada 2, O Fim da Rua e Da Magia à Sedução 2. Tirando o terceiro filme, acho engraçado que todos os outros tenham sido continuações e, honestamente, não me arrependo de ter ido vê-los.

Da Magia à Sedução é um dos meus filmes favoritos da vida. É impossível contar nos dedos quantas vezes já assisti e, quando vi o trailer do segundo no cinema… foi o suficiente para eu começar uma contagem regressiva para a estreia. Quando ainda escrevia fanfictions, sempre, sempre, sempre quis escrever algo inspirado nessa obra, mas nunca consegui imaginar uma história boa o bastante que fizesse jus ao que o filme é para mim.

Confesso que fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que não gostariam de morar na casa das irmãs Owens. Como assim, Da Magia à Sedução é considerado um filme tão ruim? As atrizes são lindas e talentosas, a história é legal e interessante, a cinematografia é aconchegante! Juro, quando a nota do segundo saiu e começaram a trazer à tona as críticas e as notas do primeiro, o choque estourou uma bolha que eu nem sabia que me envolvia.

Entretanto, eu compreendo. É impossível agradar todo mundo e blá-blá-blá.

Mas você aí, que provavelmente assistiu ao filme quando era uma garotinha também, nunca tentou acender uma vela com um sopro? Nunca imaginou um homem ou uma mulher perfeitos e quis escrever um feitiço em uma noite de lua cheia para que essa pessoa viesse até você? Talvez até morar na cidadezinha em que o filme se passa? Porque eu sim!

Quando reassisti recentemente ao original, porém, percebi que, além de toda a magia do filme – que pode, sim, facilmente encantar qualquer criança -, o que realmente se destaca é a relação entre as Owens. O amor e a amizade, se é que essas coisas podem ser diferenciadas no sentido abordado aqui, estão presentes nas três gerações.

As duplas Bridget e Frances, Sally e Gillian e Kylie e Antonia têm diferenças tanto físicas quanto de personalidade, mas não consigo imaginar algo que se coloque entre elas e destrua a irmandade e a conexão que as três duplas transmitem. Elas podem discordar, se afastar, ser completamente diferentes umas das outras, mas existe aquela força ali que não as deixa ir muito longe. Lembro que a parte final era a minha favorita, quando a demonstração desse amor entre elas fica escancarada.

“Não morra, Gillian. Por favor. Lembra que nós temos que morrer juntas? No mesmo dia. Você me prometeu. E hoje não é o dia.” – Sally Owens

E, realmente, era um tanto inconcebível imaginar uma sem a outra. Talvez seja por isso que, quando a Warner Bros. resolveu trazer todas elas de volta, o desejo de ser uma bruxa reacendeu, e a vontade de aprender mais feitiços também. Mas o que mais deu saudades mesmo foi ver um vínculo tão bonito entre duas mulheres, irmãs e melhores amigas que são a prioridade uma da outra.

Em Da Magia à Sedução 2, era exatamente isso que eu queria assistir: minhas bruxinhas sendo irmãs e fazendo bruxaria juntas. E posso dizer, aliviada, que nisso o filme não deixou a desejar.

Sandra e Nicole continuam sendo atrizes inquestionavelmente talentosas e, para mim, sequer parece que elas deixaram os papéis por tanto tempo. O mesmo pode ser dito de Dianne Wiest e Stockard Channing, que permanecem incríveis.

Mas as novas adições? É…

Uma das cenas mais inesquecíveis do filme original.

Das coisas que se perderam entre os dois filmes, eu diria que essa conexão entre as irmãs das três gerações foi uma delas.

Não achei Kylie e Antonia tão conectadas quanto poderiam ser, ou como eram quando crianças. É claro que agora elas são adultas. Antonia trabalha em um hospital; Kylie tem a vida com o namorado, mas sinto que faltou algo ali. Algo que mostrasse que a irmandade e a lealdade no sangue da família continuariam por muito tempo.

Infelizmente, o clímax do filme evidencia essa perda de forma bem triste.

Cheguei a comentar com a minha amiga, durante a exibição, o quão excluída a filha mais nova da Sally foi, principalmente quando ela mais poderia ter sido utilizada. E não culpo a atuação da Joey King e da Maisie Williams. Joey me surpreendeu, na verdade. Maisie? Achei meh… Mas é culpa dela ou do roteiro? Por ora, vou culpar o roteiro.

Qual a necessidade de ela ter ficado para trás com o namorado acidentado da irmã? Ela perdeu a maior chance da vida dela de fazer algo extraordinário com os poderes. De assistir à mãe e à tia utilizando os delas. Teria sido muito mais interessante vermos Sally e Gillian ensinando-a a sentir a irmã, já que a própria Sally não conseguia mais.

Queria ver mãe, tias e filhas fazendo magia juntas. Queria que aquela conexão que eu enxerguei no primeiro filme também estivesse presente, só que agora entre mulheres que cresceram, mudaram e, ainda assim, continuavam escolhendo umas às outras.

Ainda assim, a continuação não me decepcionou como um todo. As referências ao primeiro deram aquela coçadinha gostosa no coração. Gillian amadureceu bastante sem perder a essência. A maioria das piadas era engraçada. Algumas decisões foram muito bem tomadas. Eu até chorei perto do finalzinho quando tivemos aquele sacrifício lindo para quebrar a maldição…

Mas, tecnicamente, o filme se perdeu em alguns pontos. Achei a trilha sonora um carnaval e sem conexão nenhuma. A lente utilizada em algumas cenas deixou as imagens distorcidas. Algumas cenas poderiam ter sido significativamente mais curtas. E a maior reclamação que tenho visto até então: Cadê o contraste? Cadê as sombras? Cadê as cores? A falta disso tirou um pouco do aconchego do filme. Só que o que mais me irritou mesmo foi como inseriram os cortes que faziam referência ao Livro do Corvo ou ao passado. Achei brega, feio e até desnecessário.

Quanto à história em si, um pouco mais do mesmo. Homens sendo o centro de tudo. Um chatão querendo algo que ele não tinha o direito de ter. Aposto que tinha como achar outras maneiras de se tornar bruxo ou de o desejo dele ser simplesmente outro. Mas não sei se foi assim que aconteceu no livro, e se foi, bom… Não tem o que fazer, não é?

No fim, se você gosta do primeiro, acho difícil não gostar do segundo. Apesar de algumas coisas (nada nunca é perfeito), você vai ser transportado para o mesmo lugar que sua versão mais jovem visitou quando assistiu a Gillian e Sally pela primeira vez. Principalmente quando ouvir as primeiras notas de Amas Veritas de novo.

Da magia à sedução é um clássico de sessão da tarde para mim, e é exatamente esse tipo de filme familiar, divertido e leve que eu gosto de assistir (e produzir). Estar de volta àquela cozinha tão icônica, ao jardim e à estufa das irmãs Owen foi um prazer imenso. Eu não me arrependo de ter assistido na noite de estreia. Eu ri, chorei e saudei aquela garotinha que queria ter escrito aquele feitiço, ou mexido uma xícara de café com seus poderes mágicos.

Se você ainda não assistiu e quer algo para se distrair, dar risada, ou só ter um monte de mulheres lindíssimas na sua tela por duas horas seguidas, está esperando o quê? Temos um telhado para subir e uma multidão para nos ver pular.


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